Carmen Sylvia Alves de Vasconcelos nasceu em Angicos, no Rio Grande do Norte, em 21 de junho de 1965. Aos 14 anos, transferiu-se para Natal, para estudar no Instituto Maria Auxiliadora, uma tradicional escola da cidade. É formada em Serviço Social e Direito, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e trabalha no Tribunal Regional do Trabalho, em Natal. Tem publicado regularmente seus poemas em jornais e revistas literárias do Nordeste, obtendo grande repercussão entre os leitores. Seu livro de poemas, intitulado Chuva ácida, mereceu uma crítica muito elogiosa e inúmeros comentários que ressaltavam o impacto dos versos e a diversidade de seus temas.
Pensamento da autora
Antes ser cortada,
jogada aos pedaços
no caldeirão do tempo,
amolecer na cozedura,
inchar-me de idades,
corar de amplitude
do que saber-me remota
por imobilidade
e dura e seca por ignorância.
Poesia de Carmen:
Falena
Sou tão afoita
que uma vírgula me desintegra.
Sou desarvorada
extraio versos dos escapes,
sou diversas
procuro ondes (às vezes odes),
conheço a mordedura dos acenos,
antecipo inflamações.
Mas sei que Deus está no perigo e eu
eu preciso de falhas.
Preciso da tinta descascada,
da aspereza que esqueceram de polir,
do defeito que fugiu aos olhos.
Antes o risco,
antes a inquietação e suas agulhas
do que amarrar-se à permanência
e murchar-se.
Antes o precipício
do que a clausura
entre paredes com olhos
quando estamos nus.
Antes ser cortada,
jogada aos pedaços no caldeirão do tempo,
amolecer na sua cozedura,
inchar-me de idades,
corar de amplitude
do que saber-me remota por imobilidade
e dura e seca por ignorância.
Fica aqui minha homenagem a esta brasileira que também fez arte da palavra

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