Há uma luta.
É diária.
Assim que abro os olhos pela manhã já deparo-me com sua pujança, sua força. Ele faz-se sentir em todo e qualquer momento. Insiste em participar de todas as ocasiões. Todas. Rendo-me. Não adianta digladiar-me com ele. É mais forte do que eu. Bem mais. Sua couraça é impenetrável, seus dardos são horríveis. E como. Quanto mais longe esforço-me para ficar longe dele, mais perto fico. Ou é ele quem fica de mim? Difícil definir. Minhas artimanhas são hilárias frente à sua grandeza: cremezinhos para a pele, para o cabelo, bronze, ginástica, legumes. Ele ri-se. Confesso que no fundo eu também acho graça. Impossível fazer-lhe frente e, convenhamos, impossível também disfarçar suas investidas. Mas, pensado melhor, ele não é de todo ruim. Rendo-me, sim, mas é uma rendição consciente. Ele tem sua própria linguagem, seus próprios símbollos, sua própria maneira de falar-nos. Claro que há uma mensagem. Ele só quer nos dizer que não adinta querermos fazer desta existência nosso melhor investimento, que a matéria não pode receber o que de melhor o universo tem para nós. Ele só quer nos dizer que a efemeridade tem seu lado positivo: ela é um antídoto contra nossa autossuficiência, nossa soberba, nossa altivez. Ele sempre soube disso. Nós é que insistimos em em ficar aqui para sempre.
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